Em geral, a depressão é associada à apatia, à falta de energia e à dificuldade de realizar até as tarefas mais simples do dia a dia. No entanto, existe um tipo de sofrimento psíquico que desafia esse imaginário: a depressão de alto funcionamento. Nela, a pessoa mantém a rotina, trabalha, estuda, participa de atividades sociais, mas internamente sente um vazio profundo, tristeza e cansaço emocional.
Popularizada na internet, essa expressão pode parecer contraditória. Afinal, como alguém com depressão pode continuar sendo produtivo? Mas é justamente essa aparência de normalidade que torna o quadro tão difícil de identificar.
Apesar de ainda não ser um diagnóstico formal, o termo depressão de alto funcionamento vem sendo usado por profissionais de saúde mental para descrever pessoas que convivem com os sintomas da depressão, mas continuam “funcionando” socialmente.
O médico Drauzio Varella, em vídeo recente sobre o tema, ressalta que essas pessoas “seguem a rotina normalmente, mas sentem uma tristeza profunda e outros sintomas da depressão”. Entre eles, estão:
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas no mundo convivem com a depressão. No Brasil, o número também impressiona: 11,3% da população adulta recebeu diagnóstico médico do transtorno no último ano, com prevalência maior entre mulheres.
A pessoa com depressão de alto funcionamento, muitas vezes, parece bem aos olhos dos outros. Ela cumpre prazos, mantém compromissos e cuida da família. Mas o que ninguém vê é o esforço enorme que exige “manter a máscara”. Essa invisibilidade do sofrimento pode atrasar a busca por ajuda e agravar os sintomas.
Quando não tratada, a depressão de alto funcionamento pode evoluir para quadros mais graves, comprometendo o bem-estar e, em casos extremos, levando à ideação suicida.
A depressão de alto funcionamento pode ter múltiplas causas, biológicas, psicológicas e sociais. Algumas pessoas têm predisposição genética, outras vivem sob alta cobrança, perfeccionismo e medo de falhar.
O transtorno é mais frequente entre mulheres, devido a fatores hormonais, biológicos e sociais. A pressão para serem bem-sucedidas em todos os papéis, profissionais, cuidadoras, mães e parceiras, pode gerar uma sobrecarga emocional intensa.
Mesmo que a pessoa siga com a rotina, alguns sinais podem indicar que algo não vai bem:
Esses sintomas, quando negligenciados, podem se intensificar com o tempo. Por isso, reconhecer o sofrimento é o primeiro passo para buscar ajuda.
O tratamento é semelhante ao da depressão comum e pode incluir psicoterapia, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, o uso de medicação.
A psicoterapia, por sua vez, tem um papel essencial na reconstrução da autoestima e no reconhecimento das emoções. O trabalho terapêutico ajuda o paciente a compreender por que sente a necessidade de manter a aparência de normalidade e como desenvolver uma relação mais autêntica consigo mesmo. Práticas complementares como atividade física, sono regular e alimentação equilibrada também contribuem para o bem-estar mental e emocional.